New York, I (really) Love You

New York, I Love You é um filme que eu vi faz algum tempo. O filme é projeto semelhante ao laureado Paris, Je T’Aime, que consiste em um coletânea de histórias, que tem alguma conexão, e seu pano de fundo é uma bela e simbólica cidade, nesse caso, Nova York, minha amada Nova York.
Talvez o fato de eu gostar tanto de Nova York (só perde para Buenos Aires), me tornasse parcial no que diz respeito ao filme, porém posso garantir que até quem odeia Nova York, americanos e o Shia LaBeouf (me incluo nesse grupo) vai amar o filme.
A ficha técnica do filme é extensa, não no tipo Idas e Vindas do Amor, onde só nomes poderosos mas sem muita profundidade figuram no elenco; é extensa daquelas que te fazem ter inveja até da pessoa que serviu café no set.
Diretores incluem nomes como: Brett Ratner (que dirigiu meu episódio preferido de House MD), Mira Nair (Feira das Vaidades), Shekhar Kapur (Elizabeth) e Natalie Portman. Peraí, como assim Natalie Portman?? É isso mesmo, a atriz tão versátil e talentosa se embrenhou por trás das câmeras. E acredite, ela faz um bom trabalho. Além dos nomes conhecidos, temos ainda Yvan Attal, Allen Hughes (Livro de Eli), Wen Jiang, Joshua Marston (do ótimo Maria Cheia de Graça) e outros.
Eu, particularmente, decido, em geral, que filmes vejo pelos diretores. Diferentemente da maioria da população, claro. Então, só por esse ponto o filme já era garantido para mim. Mas, quando passei para a lista de atores, me senti no paraíso. Um filme que tem no elenco Natalie Portman (como atriz também), Hayden Christensen (preciso dizer algo?), Anton Yelchin (que não recebe toda a atenção de Hollywood que merece), Robin Wright, Ethan Hawke (Antes do Amanhecer diz algo??), Chris Cooper, Eva Amurri (que prova que o talento da mãe, Susan Sarandon passou pelo sangue) e alguns outros nome conhecidos. Isso me animou mais ainda. Então vi o nome de Shia LaBeouf. Droga. Não gosto dele. Sempre com seu buço suado e jeitão quero-ser-o-novo-Tom-Hanks.
É aí que minha porção humilde e que gosta de admitir quando erra entra em cena (ela entra em cena com pouca frequência). Mordi a língua. E mordi feio. Quem diria que aquele garoto por quem minha irmã mais nova foi apaixonada na época de Mano a Mana (Disney Channel) era tão bom ator?? Além do Steven Spielberg, claro. Shia LaBeouf entra em cena no meio do filme, mas eu garanto, vai te marcar para sempre. Seu mordomo deficiente físico é de tamanha delicadeza, emoção, cuidado, melancolia equilibrada com esforço para ser simpático, doçura e cortesia que se o rapaz não fosse o mesmo que fez o pior filme que já vi em toda minha vida, Transformers 2 - A Vingança dos Derrotados, com certeza estaria entre meus atores favoritos. Shia LaBeouf ofusca Julie Christie, John Hurt e até mesmo a bela Nova York que se vê da janela do quarto de hotel. Shia ofusca até os outros segmentos do filme. Ok, Shia, após o filme volto a não gostar de você.
Natalie Portman deve ser comentada à parte também. Amo Natalie Portman. Ela é absurdamente talentosa, além de ser linda. Já foi indicada ao Oscar de Atriz Coadjuvante (merecia de Atriz) por Closer. Nesse filme ela atua nos dois lados: atriz e diretora. No segmento de Mira Nair, ela atua como uma judia (careca, mas linda), que tem um envolvimento sentimental no melhor estilo Encontros e Desencontros com um joalheiro indiano, ás vésperas de seu casamento. É de uma beleza e delicadeza que mal posso descrever. Natalie está poderosa e contida, e impressionantemente numa combinação encantadora. E como diretora, seu segmento é de uma fofura extrema. A menina Teya (Taylor Geare), é lindinha e tão esperta que dá vontade de levar pra casa.
O filme segue e pela tela desfilam atores tarimbados, atores bonitos, atores desconhecidos e Hayden Christensen (desculpe, ele tem categoria própria de tão lindo e cool)… E New York, I Love You vai imprimindo no telespectador a Nova York de conversas em restaurantes, bares, dias no parque e bailes de formatura. E é no baile de formatura que começa meu segmento preferido, que tem aquela cara de filme teen, mas com cérebro, dirigido pro Brett Ratner. Olivia Thirlby e Anton Yelchin têm muita química! É até estranho… Anton é um rapaz russo que você talvez conheça por Exterminador do Futuro 4 (mas, vá ao imdb e veja seus outros filmes, você vai se surpreender com o menino) e Olivia é uma indie-sweetheart, fez a melhor amiga de Ellen Page no súper fofo Juno e desde então tem entrado em filmes ambiciosos e bem cotados. O mais impressionante para mim é que esse segmento que tinha tudo para ser o mais bobo do filme, se torna, na minha humilde opinião, o mais interessante. E tudo isso se deve à química e talento de Anton. Olivia soa um pouco forçada como a menina descolada e prática, mas não atrapalha o segmento.
Outro segmento sensacional é o de Robin Wright e Chris Cooper, dirigido por Yvan Attal. Diálogo bem escrito, bem dirigo. Estranhos que não são tão estranhos conversam e flertam numa calçada em frente a um restaurante de Manhattan. Atores bons, bom diretor, o que pode dar errado?
O filme vai chegando ao final, sentimento de “Ahh!” entram na minha mente. Queria mais. Queria muito mais. New York, I love you, I really do!
Filme, filmaço! Eu amo antologias, mas New York, I Love You é minha favorita. Rumores dão conta de que teremos um Rio, Eu te Amo. Será? Já começo a fazer mentalmente minhas apostas de direção. Walter Salles, Andrucha Waddington, Jorge Fernando, Bruno Barreto, Breno Silveira, Fernando Meirelles, Guel Arraes… Minha mente viaja. Mas sempre aporta novamente em quão bom New York, I Love You. Já estou com Paris, Je T’Aime gravado no Sky HD (meu TiVo que sempre sonhei), e sei que será bom. O projeto é bom, a cidade é linda. Vale a pena.
Com isso em mente, eu digo… Assista New York, I Love You. Amando Novaq York ou não, odiando o Shia ou não, gostando de cinema ou não. É uma declaração de amor. Daquelas que dão até inveja…
New York, I Love You (2009)
Direção: Vários
Elenco: Vários
Roteiro: Vários
Tagline: “A cada momento, o amor começa.”


