Sobre Violência Gratuita e Meu Medo do Michael Pitt

Tem imagem mais impressionante??
No final do ano passado, estava em casa apenas com a companhia de minha cadela Meg (pra quem conhece a Meguinha sabe que isso é igual a nada). Já era tarde da noite e eu estava zapeando pela TV, à procura de algo para assistir. Então, parei na HBO e vi que em dez minutos começaria o filme Violência Gratuita, do diretor Michael Haneke (também escrito por ele). O filme que assisti é a versão americana, que tem origem na versão alemã (também dirigida por Haneke) de 1997. Não assisti à versão alemã ainda, mas de acordo com o que li, elas são bem parecidas.
O diretor Michael Haneke (também diretor do filme A Fita Branca, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010) tem uma filmografia extensa, porém Violência Gratuita (em suas duas versões) é para mim a parte mais marcante.
Sou totalmente impressionável. Filmes violentos me afetam pessoalmente. Não que eu não assista, pelo contrário, assisto e muito, mas fico dias após ainda marcada e impressionada pelas coisas que vi.
Violência Gratuita é daqueles filmes, que depois de assistir, você ainda fica repassando em sua mente os fatos e tentando entendê-los. É um filme de ritmo acelerado. E essa acelaração toda é maestrada não por Haneke, mas por Michael Pitt (Paul), que junto com Brady Corbet (Peter) instaura o reino de terror na vida da família Farber, composta pela maravilhosa Naomi Watts (Ann), pelo genial (que quando mais jovem era super hot! não me entendeu?? assista a Cães de Aluguel e fale comigo depois) Tim Roth (Geroge) e o fofo menino Devon Gearhart (Gerogie). O elenco é todo consistente e os atores entregam as atuações já esperadas deles, o que é muito agradável ao se ver um filme e saber exatamente que bons atores serão bons atores.
Tudo começa com dois jovens, muito bonitos, educados e amáveis, batendo à porta da casa de veraneio alugada pela família Farber, num belo balneário. Mas, nada depois disso é normal ou comum. Pitt e seu amigo tem aquele quê sádico e frio, eles falam em assassinato, crueldade e tortura como quem fala sobre o tempo. É naturalidade brutal.
E enquanto a tortura se desenrola, os talentos individuais se destacam. E é nessa hora que para mim, infelizmente, Michael Pitt se destaca. Deixe-me explicar. Tenho medo de Michael Pitt. Muito medo. Primeiro, seu nome do meio é Carmen, isso é bem estranho… Segundo, mais importante e menos fútil motivo, é que em toda sua filmografia, onde destacam-se filmes como Last Days, A Vila, Os Sonhadores e Cálculo Mortal, Michael Pitt sempre está com aquele ar de psicopata, não importa o papel que faça. Não me entendam mal, Michael Pitt é extremamente talentoso, não duvido disso. Mas, simplesmente me dá medo e se um dia fosse apresentada a ele, não olharia em seus olhos. Teria arrepios para sempre.
Mas, continuando. se Violência Gratuita é uma orquestra, seu regenta não é Haneke, mas sim Pitt. Ele manipula a todos, desde seu vil parceiro aos vizinhos do belo balneário. Seu sorriso malicioso, olhar vazio e cabelo imóvel lhe dão a imagem de um psicopata/sociopata (será que isso é possível?) dos sonhos de qualquer diretor de filmes de medo/assassinato/tortura. Ele age como o apresentador de um reality show dos infernos, indicando deixas, intruções e dando margem à reações. Tudo acontece de acordo com sua vontade e mesmo quando algo que ele não deseja acontece, há sempre a possibilidade de se rebobinar e refazer a cena, certo, sr. Paul? (assista ao filme e você entenderá)
Ao momento em que o filme chega ao momento ápice, para mim pelo menos, está quase terminando. O dia está nascendo e o elenco já foi “desfalcado”. Tim Roth e Naomi Watts rendem, um pouco antes, uma bela cena, que te dá tanta pena, que você deseja abraçar os dois e dizer que tudo vai ficar bem.
Porém… Nada fica bem. Somos pegos de surpresa com mais um ato abrupto e terrível de nossos dois mestres de cerimônias do macabro (muito Vincent Price, talvez?) Chega-se ao final do filme com a certeza de que… Quando Michael Pitt está no filme, nem tudo fica bem. Mas, com toda a certeza, tem-se qualidade garantida.
Um aviso final: Se você tem aversão à assassinatos brutais de criaturas fofas, não veja esse filme, ok? E se como eu, tem medo do Michael Pitt, talvez, seja melhor não ver também, pois aqui ele explora seu lado mais assustador.
Violência Gratuita tem violência. Não gratuita, mas em troca de um filme inteligente, corajoso e angustiante. E deve-se tudo aos Michaels. Nesse caso, Haneke e Pitt.

Esse cartaz, apesar de não ser tão lindo, é muito mais representativo da natureza do filme.
Violência Gratuita (2007)
Elenco: Michael Pitt, Naomi Watts, Tim Roth e outros.
Direção: Michael Haneke
Roteiro: Michael Haneke
Tagline: “Podemos começar?”